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Pedal patagônico: Trecho 0 – Glaciar Perito Moreno & Torres del Paine

07/01/2016

El Calafate

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Frio e chuva em El Calafate

A viagem (mas não o pedal) começou com uma passada por El Calafate (nome de um arbusto comum no pampa), na Argentina, para visitar o glaciar Perito Moreno. Quando chegamos estava frio e chuvoso, o que nos levou a questionar a sabedoria de nossa escolha de vestimenta para o pedal patagônico. Depois do check in no Glaciar Perito Moreno Hostel, fomos ao centro da cidade, que fica a 15 minutos a pé. A Sandra comprou um novo par de luvas impermeáveis, porque sentiu que as que tinha não davam conta. Mas, tudo bem, sabíamos que esse tipo de coisa seria parte de uma viagem de bicicleta. Só que aí, no dia seguinte:

 

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El Calafate debaixo de neve

Neve! Quando acordamos, tudo estava coberto de branco. Foi aí que realmente questionamos nosso preparo logístico para o pedal patagônico. Ao longo do dia, no entanto, o tempo foi melhorando e o sol abriu. Ficou claro que aquela neve havia sido um evento extraordinário e no resto da semana, quando já estávamos em Puerto Natales, só tivemos tempo bom.

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Glaciar Perito Moreno

O glaciar Perito Moreno é um lugar que vale a pena visitar. O passeio que compramos incluía uma passagem pelas passarelas, um rápido (20 minutos) translado de barco para a outra margem e um minitrekking sobre o glaciar de 1:30 h. Nossa experiência foi atípica, segundo o guia, porque caminhanhos mais sobre a neve que o gelo, a superfície normal que os visitantes costumam encontrar no Perito Moreno. Ainda assim, valeu muito a pena.

Se você não está interessado em caminhar sobre o glaciar ou ver o gelo de um barco, pode seguir no seu próprio carro até o parque, pagar a entrada e se dirigir as passarelas. Se quer navegar, há passeios mais longos (e mais caros). O bom do passeio que contratamos, é que se tem as três experiências. E, no final do minitrekking, ainda vimos um bloco gigantesco de gelo se desprender do glaciar e cair no lago. Foi rápido demias para tirarmos uma foto.

Um detalhe sobre El Calafate: apesar de ser uma cidade que vive basicamente do turismo, eles parecem não se esmerar tanto em agradar o turista. Compramos o minitrekking no glaciar com a Patagonia Extrema que incluía sermos buscados no albergue às 10 h. Às 9:15, enquanto eu voltava do supermercado, ligaram para o albergue e informaram a Sandra de que não nos pegariam e que deveríamos estar na empresa de passeio até as 9:50 ou partiriam sem nós. Uma série de telefonemas não revelou informação alguma a não ser que uma mulher nos disse para pegar um táxi que eles pagariam. Quando chegamos na Hielo & Aventura, as atendentes disseram que não haviam dito isso e não se responsabilizavam por nada. Descobríamos que há uma espécie de terceirização dos passeios. Você compra com uma agência, que reserva o passeio com outra, que transfere a logística para outra. Enfim, fizemos o passeio, mas só resolvemos o problema à noite, na Huellas del Sur, que nos ressarciu pelo táxi, mas continuamos sem saber o motivo da desorganização e do descaso.  A moça que nos atendeu disse que aquilo era comum, tanto o erro como o jogo de empurra, e que, apesar de não saber o que tinha acontecido, não nos deixaria na mão. Para finalizar, tínhamos agendado um táxi para levar nos levar com as bicicletas para a rodoviária. Ele não apareceu e a agência de táxis disse que não sabia de nada. Foram momentos tensos até que conseguimos um carro, mas ele teve que fazer as viagens duas vezes.

Por isso, se for a El Calafate, ceritfique-se dessas coisas.

Puerto Natales

A viagem de ônibus de El Calafate a Puerto Natales dura cinco horas, uma parte das quais você perde nos trâmites de fronteira. O posto argentino, em Rio Turbio, demora porque é preciso pegar o carimbo no passaporte e todos tem que desembarcar. No posto chileno, além disso, é preciso retirar toda a bagagem e passá-la pelo raio-x. Quase perdemos nossos sanduíches, porque o motorista disse que não se podia entrar com frios no Chile, mas, na fronteira, a guarda explicou que se os frios estavam em pães não havia problema. Não entendi porque, mas agradeci não ter que comer três sanduíches super-rápido, como fiz com a maçã.

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Vista da costanera de Puerto Natales

Na rodoviária de Puerto Natales, a Sandra sugeriu que montássemos as bicicletas e pedalássemos até o Hostel Domos House. Foi aí que percebemos as avarias no transporte das bikes: a blocagem dianteira e o disco de freio da Sandra, assim como minha transmissão dianteira, estavam empenados. O que fazer? Era domingo, mas havia uma loja de bicicletas aberta e ficava perto da estação, El Rey de las Bicicletas.

Fui lá e expliquei a situação. A dona da loja disse que seu irmão, o mecânico, havia levado sua mãe para Punta Arenas para ser hospitalizada e, talvez, voltasse na terça ou na quarta. Por isso, sugeriu que eu procurasse outro mecânico, só que ela não possuía o contato dele e só uma vaga noção de seu endereço. O problema é que eu e a Sandra partíamos na manhã seguinte para Torres del Paine e não teríamos como procurar ajuda em outro lugar. Implorei, sugeri pagar pelo serviço da loja e do outro mecânico se eles ficassem encarregados de achá-lo etc. Acabou que o filho da senhora, o mecânico assistente, checou as bicicletas e constatou que eram problemas simples. Ele se prontificou a arreglalos até às 20 h daquele dia e cumpriu o prometido.

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Interior de um dos domos do Domos

O Domos é um ótimo albergue se você estiver na área (só não tem banheiro privativo). Adrian, o dono, e Naíra, sua funcionária, são muito prestativos e atenciosos. Além disso, ele está bem localizado no centro, a uma quadra e meia da costa e uma quadra da principal rua comercial, a Bulnes.

Haveria muito o que escrever sobre Torres del Paine, mas me limitarei a dizer que recomendamos fortemente a visita. Fizemos o circuito W incompleto (chamamos de V). Não fomos até o glaciar Grey, porque já havíamos visitado o Perito Moreno, e terminamos nosso trekking no refúgio Paine Grande, pegando o catamarã para Pudeto, de onde tomamos o ônibus de volta para Puerto Natales.

Conhecemos muita gente legal lá: os alemães Uwe e Evelyn Bauer, os americanos Abe e Mariapaz Stern, e Luigi e Cristina, um casal ítalo/brasileiro. Isso, somado à beleza da natureza no parque (vejam as fotos abaixo), fizeram nossa visita ser muito especial.

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Trilha do lago Nordenskjold

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Vista do mirador Francês

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Acampamento Los Cuernos, à margem do lago Nordenskjold

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