Uma experiência agridoce #somoscecierj #ocupacairu

#ocupacairu
Foto: Luiz Bento

Ontem, como parte das atividades de greve da Fundação CECIERJ, visitamos uma das 21 escolas ocupadas pelos estudantes no Rio de Janeiro. Fomos ao Colégio Estadual Visconde de Cairu, no Méier, e levamos mantimentos para ajudá-los na sua luta. Os alunos nos receberam com simpatia e nos deram um tour das instalações, explicando como estão conduzindo a ocupação. Foi uma experiência agridoce, meio alegre, meio triste. Alegre porque é inspirador ver os jovens tomando pra si a luta por um mundo melhor; no caso, um mundo com uma educação de qualidade e onde o Estado se responsabilize por atender de maneira competente um direito fundamental da população, apesar de uns e outros acharem que não. Os estudantes da Visconde de Cairu não estão apenas lutado, estão administrando sua luta. Se dividiram em vários comitês que lidam com diferentes questões da ocupação, seja alimentação, limpeza ou atividades. Eles ainda espalharam cartazes pela escola com mensagens de tolerância e reafirmação da diversidade, algo, no mínimo, louvável em tempos de extremismo e fascismo em alta. Pra mim, é especialmente marcante ver essa iniciativa, porque não sei se eu, quando adolescente, teria feito o mesmo. Na minha juventude, era de direita (eu sei, mas mudei — fiz o caminho inverso da maioria das pessoas) e provavelmente não estaria apoiando um movimento com esse.

Foi triste porque, durante o tour, vimos como a Visconde de Cairu é imensa e possui diversas instalações que fazem (ou fariam) dela uma escola fantástica, como laboratórios de química e astronomia (!), mas que estão abandonados e/ou trancados. As instalações da escola também sofrem sem manutenção, como mostra esse vídeo de 2010. O colégio tem até um bosque, uma área grande de vegetação que poderia ser usada para aulas práticas de biologia ou para projetos como uma horta comunitária, mas que, agora, acumula focos de mosquito. É mais triste ainda porque a gente sabe que essa situação precária não é “privilégio” da Visconde de Cairu — tá mais para a realidade padrão dos colégios cariocas e fluminenses.

De qualquer maneira, prefiro contabilizar a experiência mais como positiva do que negativa: a atuação dos jovens bate de dez a zero o desmazelo do abandono da instalações de educação do estado. Toda a força pros estudantes da Visconde de Cairu e de todas os outras 20 escolas ocupadas! Continuem lutando! A gente ajuda no que for possível.

Em tempo, no dia 7 de abril, uma juíza aprovou a reintegração de posse do Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, alegando que os alunos “estão dormindo e cozinhando na própria escola, sem qualquer supervisão por agente público que garanta a segurança. Assim, em caso de acidentes ocorridos dentro da escola, a responsabilidade será do Poder Público que, além de estar privado da posse de um bem público, ainda terá que arcar com eventual indenização por danos causados aos ocupantes”. Acho curioso que quando os estudantes estão frequentando uma instalação sem condições físicas de segurança e saúde apropriadas, tá tudo bem, mas agora que eles estão fazendo um movimento legítimo, aí é problemático para o Estado — perceba que a preocupação dela é com a responsabilização pelo acidente e o custo das indenizações, não é realmente com a segurança. Além disso, como o Poder Público pode estar privado de um bem se ele está na mão dos estudantes, que são o público ao qual ele está destinado?

Mais fotos da visita:

Escola laica
Foto: Luiz Bento
Recalque de ditadura bate na minha geração e volta
Foto: Luiz Bento

Respeite

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Laboratório abandonado
Laboratório abandonado
Laboratório abandonado
Laboratório abandonado
O bosque
O bosque

Vai ter

Superseeds #63: Legacies of Power, part 1

Legacies of Power, part 1 é o sexagésimo-terceiro artigo da minha coluna na RPG.netSuperseeds. Neste, falo sobre uma campanha onde os superpoderes são legados, passados para os sucessores dos heróis e vilões.

Legacies of Power, part 1 is the sixtieth-third installment of my RPG.net column, Superseeds. In this one, I talk about a campaign in which superpowers are passed on to the successors of heroes and villains.