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Pedal patagônico: Trecho 3.2 – Tolhuin — > Lago Escondido

03/05/2017

Sandra, Christian e Hélio em frente à Panadería Unión

Assim como em Rio Grande, a ideia era só pernoitar em Tolhuin, mas dada a pedalada de 111 km, achamos melhor descansar um dia antes de seguir viagem. Nessa primeira noite, ficamos no quarto que o dono da Panadería La Unió

n disponibiliza no depósito da padaria para cicloviajantes e andarilhos. As paredes do cômodo são repletas de desenhos e mensagens de outr

os viajantes que já haviam passado por ali. O quarto conta com uma cama de solteiro, um beliche e um colchonete. A cama já estava ocupada por um viajante alemão que trabalhava na padaria há um ano para aprender o ofício. Hélio ficou na parte de cima do beliche; Sandra, na de baixo e o colchonete sobrou pra mim.

Bicicleta dupla recurva de Anysya e Alexi

Bicicleta dupla recurva de Anysia e Alexi

Nessa mesma noite, outros cinco cicloviajantes chegaram a Tolhuin. Primeiro, um grupo de quatro que haviam se conhecido em Ushuaia e pedalavam juntos temporariamente: um chileno, um alemão e um casal de suícos, Anysia e Alexi. Estes tinham partido da Suíça, passado pelo Marrocos e chegado a Ushuaia, de onde seguiam para o Alasca. Eles viajam numa bicicleta dupla recurva. O último cicloviajante a chegar foi o argentino Christian Beiser, que nos acompanhou até o final da viagem.

Às margens do lago Khami (ou Fagnano)

Às margens do lago Khami (ou Fagnano)

Na manhã seguinte, nos despedimos de Anysia, Alexi e os outros dois, e aproveitamos para conhecer a pequena Tolhuin na companhia de Christian. A cidade fica às margens do lago Khami (ou Fagnano), onde encontrams um condomínio de chalés e o que pareceu ser um aparque de diversõe sou feira abandonado. Na volta, comemos torta frita. À noite, eu, Sandra e Christian mudamos para uma pousada, porque ele não estava conseguindo dormir e a Sandra teve uma crise de alergia. Mas todos (incluindo o Hélio) jantamos juntos nessa última noite em Tolhuin.

Lago Khami

Lago Khami

No dia 15 de janeiro de 2016, continuamos nossa jornada. A ideia era fazer pelo menos 50 km até o lago Escondido, mas tentar chegar a Ushuaia naquele mesmo dia não estava fora de questão. O clima estava agradável, com uma leve brisa, e prosseguimos calmamente, parando aqui e ali para tirars fotos. Por volta do meio dia, após 41 km de pedal, chegamos ao restaurante Villa Marina, onde paramos para comer sandíches e tomarmos café. Ficamos cerca de duas horas curtindo o local, que possuía um lago e uma enorme lareira.

Partindo de Villa Marino

Partindo de Villa Marino

Levamos cerca de 1:30 hora para chegar no posto da gendarmeria que fica ao lado do lago Escondido e no início do famigerado trecho de 7 km de subida que leva até o passo Garibaldi. Havíamos ouvido várias histórias de terror de como essa parte do percurso era difícil etc., mas eu estava disposto a tentar chegar até Ushuaia. Christian estava ambivalente e Sandra e Hélio preferiam acampar no lago e realizar o trecho final d aviagem no dia seguinte. A Sandra também estava sentindo o joelho e, após uma consulta com o veterinário local (o único profissional de saúde disponível), que lhe assegurou que não parecia ser nada sério, mas que ela não devia forçar o joelho, resolvemos acampar.

Lago Escondido

Lago Escondido (ao fundo, mais à esquerda: passo Garibaldi)

Pernoitamos à beira do lago numa área de churrascos. A uns dois quilômetros de distância, ainda na margem, encontram-se as ruínas de um antigo hotel. O cicloturista holandês que encontramos no caminho de San Sebastian para Rio Grande havia nos falado desse lugar como sendo bom para pernooite, pois poderíamos armar as barracas dentro das casas, onde estaríaamos mais protegidos, mas preferimos ficar a céu aberto. O Hélio, no entando, fez uma visita ao local. Pouco tempo depois de chegarmos, três cicloturistas se juntaram a nós: dois franceses e um paquistanês. Conversamos durante o jantar (os franceses nos surpreenderam com seu kit de jantar, que incluía uma garrafinha de azeite) e tivemos uma grata surpresa. Quando mencionamos o receio de enfrentar os 7 km até o passo Garibaldi, um dos franceses apontou o passo na distância e disse que a subida que víamos — não muito íngreme — era o trecho ao qual nos referíamos. Ele e o amigo já tinham feito o caminho, em ambos os sentidos, mais de uma vez e não era difícil.

Os franceses

Os franceses

Com essa ótima notícia para nos embalar, fomos dormir — iríamos acordar cedo para encarar esse último trecho e minimizar as chances de toparmos com vento contra.

 

 

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