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A Bicicleta Púrpura/The Purple Bike

03/05/2017

Ontem à noite, dia 3 de maio de 2017, um taxista me atropelou quando eu voltava de um pedal. Sua roda prendeu meu pé e, por angustiantes segundos, achei que ele estilhaçaria meu tornozelo. No final, escapei com um escoriação feia, um edema, um corte e abrasões.

Esse foi o meu terceiro acidente sério envolvendo carros (sem contar finos, fechadas etc.) desde que comecei a usar a bicicleta como modal de transporte urbano em 1998. Um amigo que é ciclista recente já levou uma portada de um passageiro que saía de seu Uber e teve que engessar o braço.

Pensei no número de ciclistas que já devem ter passado por isso, mas cujas experiências não necessariamente são visíveis (se é que viram estatísticas) e me lembrei de uma condecoração norte-americana, o Purple Heart, agraciada a soldados que são feridos ou mortos em combate.

Por que não termos uma Purple Bike ou Bicicleta (ou Bike) Púrpura?

A ideia é ter um símbolo que quantifique o número de acidentes sérios nos quais o ciclista foi vítima. Por exemplo, eu teria três Bicicletas Púrpuras. Seria mais uma maneira de dar visibilidade ao perigo que aqueles que usam a bicicleta nas ruas brasileiras estão submetidos.

Só para deixar claro, não é para ser uma homenagem à imprudência, uma medalha de guerra ao carro ou um símbolo de mérito a sua indestrutibilidade. A ideia é outra, mais positiva.

Como não sou designer ou artista gráfico, improvisei duas versões usando imagens de domínio público. A primeira é mais fiel à inspiração original, mas é meio estranho chamá-la de Bicicleta Púrpura, já que a bike é branca. Na segunda, a bicicleta é da cor apropriada, no entanto o desenho não chama tanta atenção.

Deixo os arquivos psd e png disponíveis para quem quiser melhorar a ideia. Usem e abusem.

E que nenhum ciclista, daqui por diante, ganhe uma Bicicleta Púrpura!

 

 

 

Bike Púrpura, versão 1

Bike Púrpura, versão 1

Bike Púrpura, versão 2

Bike Púrpura, versão 2

Versão 1 – psd

Versão 2 – psd

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Pedal patagônico: Trecho 3.2 – Tolhuin — > Lago Escondido

03/05/2017

Sandra, Christian e Hélio em frente à Panadería Unión

Assim como em Rio Grande, a ideia era só pernoitar em Tolhuin, mas dada a pedalada de 111 km, achamos melhor descansar um dia antes de seguir viagem. Nessa primeira noite, ficamos no quarto que o dono da Panadería La Unió

n disponibiliza no depósito da padaria para cicloviajantes e andarilhos. As paredes do cômodo são repletas de desenhos e mensagens de outr

os viajantes que já haviam passado por ali. O quarto conta com uma cama de solteiro, um beliche e um colchonete. A cama já estava ocupada por um viajante alemão que trabalhava na padaria há um ano para aprender o ofício. Hélio ficou na parte de cima do beliche; Sandra, na de baixo e o colchonete sobrou pra mim.

Bicicleta dupla recurva de Anysya e Alexi

Bicicleta dupla recurva de Anysia e Alexi

Nessa mesma noite, outros cinco cicloviajantes chegaram a Tolhuin. Primeiro, um grupo de quatro que haviam se conhecido em Ushuaia e pedalavam juntos temporariamente: um chileno, um alemão e um casal de suícos, Anysia e Alexi. Estes tinham partido da Suíça, passado pelo Marrocos e chegado a Ushuaia, de onde seguiam para o Alasca. Eles viajam numa bicicleta dupla recurva. O último cicloviajante a chegar foi o argentino Christian Beiser, que nos acompanhou até o final da viagem.

Às margens do lago Khami (ou Fagnano)

Às margens do lago Khami (ou Fagnano)

Na manhã seguinte, nos despedimos de Anysia, Alexi e os outros dois, e aproveitamos para conhecer a pequena Tolhuin na companhia de Christian. A cidade fica às margens do lago Khami (ou Fagnano), onde encontrams um condomínio de chalés e o que pareceu ser um aparque de diversõe sou feira abandonado. Na volta, comemos torta frita. À noite, eu, Sandra e Christian mudamos para uma pousada, porque ele não estava conseguindo dormir e a Sandra teve uma crise de alergia. Mas todos (incluindo o Hélio) jantamos juntos nessa última noite em Tolhuin.

Lago Khami

Lago Khami

No dia 15 de janeiro de 2016, continuamos nossa jornada. A ideia era fazer pelo menos 50 km até o lago Escondido, mas tentar chegar a Ushuaia naquele mesmo dia não estava fora de questão. O clima estava agradável, com uma leve brisa, e prosseguimos calmamente, parando aqui e ali para tirars fotos. Por volta do meio dia, após 41 km de pedal, chegamos ao restaurante Villa Marina, onde paramos para comer sandíches e tomarmos café. Ficamos cerca de duas horas curtindo o local, que possuía um lago e uma enorme lareira.

Partindo de Villa Marino

Partindo de Villa Marino

Levamos cerca de 1:30 hora para chegar no posto da gendarmeria que fica ao lado do lago Escondido e no início do famigerado trecho de 7 km de subida que leva até o passo Garibaldi. Havíamos ouvido várias histórias de terror de como essa parte do percurso era difícil etc., mas eu estava disposto a tentar chegar até Ushuaia. Christian estava ambivalente e Sandra e Hélio preferiam acampar no lago e realizar o trecho final d aviagem no dia seguinte. A Sandra também estava sentindo o joelho e, após uma consulta com o veterinário local (o único profissional de saúde disponível), que lhe assegurou que não parecia ser nada sério, mas que ela não devia forçar o joelho, resolvemos acampar.

Lago Escondido

Lago Escondido (ao fundo, mais à esquerda: passo Garibaldi)

Pernoitamos à beira do lago numa área de churrascos. A uns dois quilômetros de distância, ainda na margem, encontram-se as ruínas de um antigo hotel. O cicloturista holandês que encontramos no caminho de San Sebastian para Rio Grande havia nos falado desse lugar como sendo bom para pernooite, pois poderíamos armar as barracas dentro das casas, onde estaríaamos mais protegidos, mas preferimos ficar a céu aberto. O Hélio, no entando, fez uma visita ao local. Pouco tempo depois de chegarmos, três cicloturistas se juntaram a nós: dois franceses e um paquistanês. Conversamos durante o jantar (os franceses nos surpreenderam com seu kit de jantar, que incluía uma garrafinha de azeite) e tivemos uma grata surpresa. Quando mencionamos o receio de enfrentar os 7 km até o passo Garibaldi, um dos franceses apontou o passo na distância e disse que a subida que víamos — não muito íngreme — era o trecho ao qual nos referíamos. Ele e o amigo já tinham feito o caminho, em ambos os sentidos, mais de uma vez e não era difícil.

Os franceses

Os franceses

Com essa ótima notícia para nos embalar, fomos dormir — iríamos acordar cedo para encarar esse último trecho e minimizar as chances de toparmos com vento contra.

 

 

Superseeds #75: Planetary Guide Entry #099: The Immortal Gunslinger

17/04/2017

Planetary Guide Entry #099: The Immortal Gunslinger é o septuagésimo-quinto artigo da minha coluna na RPG.netSuperseeds. Neste, combino legado heroico com imortalidade.

Planetary Guide Entry #099: The Immortal Gunslinger is the seventieth-fifth installment of my RPG.net column, Superseeds. In this one, I combine heroic legacy with immortality.

Superseeds #74: Carioca Cards: Reshuffle, part 5

17/03/2017

Carioca Cards: Reshuffle, part 5 é o septuagésimo-quarto artigo da minha coluna na RPG.netSuperseeds. Neste, apresento três curingas, uma dois de paus e um alienígena, mais ou menos. novos ases.

Carioca Cards: Reshuffle, part 5 is the seventieth-fourth installment of my RPG.net column, Superseeds. In this one, I introduce three jokers, a deuce and one alienish.

Ranking *Mascarado* Políticos

05/03/2017

Uma amiga me mandou um vídeo institucional falando de um site chamado Ranking Políticos (www.politicos.org.br), cujo “objetivo é oferecer informação para ajudá-lo de forma objetiva a votar melhor”. Os criadores do site usam “dados públicos de diversas fontes para dar ou tirar pontos dos políticos brasileiros” (Deputados federais e senadores). Achei a ideia interessante e fui dar uma olhada.

Ao abrir o ranking em si, me deparo com Ronaldo Caiado (DEM) em primeiro lugar, seguido de Eunício Oliveira (PMDB) em terceiro, Eduardo Bolsonaro (PSC) em sétimo e até Tiririca (PR) em 16o. Achei estranho. Então resolvi aplicar o filtro de estado e ver qual a classificação dos políticos do Rio de Janeiro. Outro resultado… exótico, por assim dizer: Jair Bolsonaro (PSC) aparece em segundo lugar no Rio (29o total), Julio Lopes (PP) é o quinto (65o), Romário (PSB) é o nono (112o) e Rodrigo Maia (DEM), o 16o (207o).

Tive que ir para a segunda página (são 20 políticos por página) para achar o primeiro político da Rede (Miro Teixeira, na 31o posição do Rio e 340o do total) e do PSOL (Chico Alencar, nos 36o e 386o lugares, respectivamente. O infame Pedro Paulo (PMDB), conhecido devido ao caso de violência domestica contra a sua ex-mulher, em contraste, aparece nas posições 25o e 297o.

Quando se ajusta o ranking só para deputados federais, Miro, Chico e Pedro Paulo sobem no ranking total para 288o, 325o e 250o, respectivamente. Lembrando que existem 513 deputados. Ou seja, Miro e Chico não estão nem entre os 50% melhores, mas Pedro Paulo está.

Os números do meu representante na Câmara dos Deputados, Jean Wyllys (PSOL), são: 43o entre os políticos do Rio, 382o entre os deputados federais e 455o no ranking geral.

Resolvi então comparar extremos: Jean Wyllys e Jair Bolsonaro.

Ranking Jean Wyllys

Ranking Jair Bolsonaro

Na página Critérios do Ranking, os criadores do site explicam o que os itens significam. No entanto, não encontrei explicação para Participação Pública e eles listam um quesito chamado Mentirômetro que não está representado na ficha dos candidatos. Analisando os dados dos dois políticos, percebe-se que a maior discrepância está na categoria Qualidade Legislativa. Não compreendi como, já que Bolsonaro é conhecido por propostas como castração química de condenados por crimes sexuais e Wyllys tem projetos de garantia de direitos humanos, por exemplo. Por isso, fui checar o que esse quesito significava. Eis a explicação do site:

Qualidade Legislativa:
São pontuadas todas as leis de – 10 à + 10, em que levamos em consideração:

Diminuição dos gastos públicos.
Incentivo à livre iniciativa e regime de mercado.
Combate à corrupção.
Eficiência do serviço público.
Meritocracia no funcionalismo.
Liberdade de expressão e informação.

Com exceção de Combate à corrupção e Eficiência do serviço público, (embora esta última seja ambígua, porque “eficiência” costuma ser usado como sinônimo de “redução”) essa lista parece saída de um manual de liberalismo econômico. Por que não considerar como “qualidade legislativa” projetos de lei e ações de defesa dos direitos humanos, proteção de minorias e manutenção e ampliação de serviços sociais? A resposta encontra-se logo abaixo, no site:

O SITE SE POSICIONA EM RELAÇÃO AOS TEMAS SOCIAIS COMO ABORTO, PENA DE MORTE, CASAMENTO GAY, ETC?

Não. Esse tipo de tema não influencia o ranking, nem pra melhor nem para pior. Entendemos essas questões como assuntos particulares e delicados, na qual as opiniões dos brasileiros divergem consideravelmente. Focamos em assuntos em que o consenso é muito maior entre os cidadãos, como por exemplo o combate à corrupção.

Eles não se posicionam sobre “assuntos particulares e delicados” e focam “em assuntos em que o consenso é muito maior”. Só que logo depois, dizem isso:

O SITE SE POSICIONA EM RELAÇÃO A TEMAS ECONÔMICOS E JURÍDICOS?

Sim. Temos firmes valores e princípios a respeito de temas econômicos e de liberdade. Nosso sistema de pontuação baseia-se nesses valores. Acreditamos na defesa dos direitos humanos, no respeito às leis, no combate à corrupção e aos privilégios, na livre iniciativa, no regime de mercado, na eficiência dos serviços públicos, na redução do desperdício, na liberdade de informação e outras bandeiras conquistadas pela civilização nos últimos séculos. Não somos absolutamente “neutros” (se é que exista alguém que seja) e o visitante que navegar pelo nosso site precisa saber disso antes de usar esse projeto. Não temos nada a esconder.

Eles têm “firmes valores e princípios a respeito de temas econômicos e de liberdade” e acreditam na “defesa dos direitos humanos”, mas não parecem achar que essa questão é importante para a pontuação dos políticos, visto a discrepância absurda entre Bolsonaro, um deputado federal que homenageia torturadores, é homofóbico e misógino, e Wyllys, que é o oposto polar dele.

Além disso, se os últimos anos e eleições mostraram algo, é que o consenso não é muito maior em questões como tamanho do Estado/regime de mercado, “eficiência” dos serviços públicos e redução do “desperdício”. Pela própria definição deles, não deveria contar para o ranking.

Pelo menos, eles admitem o viés, embora tentem mascará-lo.

Finalmente, uma rápida leitura da seção Quem Somos do site confirma o perfil que levaram a essas escolhas.

Se você for usar essa ranking, tenha essas informações em mente.

Superseeds #73: Carioca Cards: Reshuffle, part 4

25/02/2017

Carioca Cards: Reshuffle, part 4 é o septuagésimo-terceiro artigo da minha coluna na RPG.netSuperseeds. Neste, apresento seis novos ases.

Carioca Cards: Reshuffle, part 4 is the seventieth-third installment of my RPG.net column, Superseeds. In this one, I introduce six new aces.

Patternbound: Chronicles of Amber by way of Godbound

31/01/2017

Lembra da introdução de Forcebound, onde disse que tenho o estranho hábito de adaptar sistemas de RPG para mestrar Guerra nas Estrelas? Então, também faço isso com Amber, a ambientação da série de romances Crônicas de Amber, do Roger Zelazny. E aqui, usei de novo o  Godbound, do Kevin Crawford.  Como seu predecessor, Patternbound não possui qualquer material ultrainovador — é mais uma gambiarra (olha essa gíria aí de novo) que serve de recurso para GMs que querem mestrar Amber com Godbound. Contudo, sinto um pouco de orgulho do meu sistema genérico de navegação nas Sombras. Diferentemente de Forcebound, esta adaptação teve um pouco de teste, porque comecei uma campanha há umas semanas e pude fazer algumas modificações nas regras.

Embora mencione os caosianos e até descreva Metamorfose como um Poder, você não vai encontrar Controle do Logrus aqui. Eu prefiro o ciclo do Corwin e o reli pela terceira vez para este projeto. Neste ciclo, não se menciona o Logrus e não aprendemos muito sobre as Cortes do Caos. Além disso, não vou reler o ciclo do Merlin agora e, assim, não poderia verificar se  as informações que lembro e oriundas de outros RPGs são válidas. Talvez, no futuro, eu escreva um Logrusbound.

Na página que hospeda o arquivo, você encontrará uma planilha de Excel chamada shadow_nav.xls. É uma maneira de mapeas as Sombras na sua campanha e leva em consideração as quatro dimensões dos eixos de navegação (Magia, Tec, Tempo e Estranho). Ela foi criada a partir das excelentes sugestões dos meus colegas da RPGnet neste tópico. Agradecimentos especiais ao Glyptodont, que inspirou a forma final da planilha.

No texto, faço referência a algumas fontes. Essas são as abreviações que uso: livro básico deluxo do Godbound (Gd), Non-Diceless Roleplaying in Limitless Shadows (Am). Estas marcações serão seguidas de números de página.

Finalmente, há spoilers nessa adaptação. Se você não leu os cinco primeiros romances, sugiro que você os leia antes de se enveredar por esse arquivo. Em termos de volume de texto, os cinco livros juntos são mais ou menos do mesmo tamanho que Guerra dos Tronos (888 páginas contra 807, respectivamente).

É isso! Agora siga adiante e experimente Patternbound!

Remember the intro to Forcebound, where I said I have this weird habit of adapting RPG systems to run Star Wars? Well, I also do that for Amber, the setting of Roger Zelazny’s Chronicles of Amber novels. And here again I do it with Kevin Crawford’s Godbound. Like its predecessor, Patternbound isn’t supposed to have any ultrainnovative material — it’s more a quick and dirty (there’s that expression again) resource for GMs wanting to run Amber with Godbound. I do feel a little bit of pride in my system-agnostic Shadow navigation mechanic, though. Unlike Forcebound, this one got a little playtest in that I started a campaign a few weeks ago and tweaked the rules a bit as a result.

Although I mention Chaosians and even describe Shapeshifting as a Power, you won’t find Logrus Mastery here. I much prefer the Corwin cycle and started rereading it for the third time for this project. In that cycle, we don’t learn about the Logrus or much anything about the Courts of Chaos. Plus, I won’t be reading the Merlin cycle again for now and so wouldn’t be able to verify the info I remembered and the one I plundered from other RPGs. Maybe in the future I’ll do a Logrusbound.

In the page that hosts this file, you’ll also find a link to an Excel spreadsheet called shadow_nav.xls. It’s a way to map the Shadows in your game that takes into account the four dimensions of the navigational axes (Magic, Tech, Time and Weird). It arose from the excellent advice my fellow RPGnetters gave me in this thread. Special thanks to Glyptodont, who inspired the final form of the spreadsheet.

Thoughout the text, I reference some sources. Here’s a key for the abbreviations: Godbound deluxe corebook (Gd), Non-Diceless Roleplaying in Limitless Shadows (Am). These will be followed by a page number.

Finally, there are spoilers in here. If you haven’t read the first five novels, I suggest you go do that before plunging into this file. Put together, the five books are about the size of A Game of Thrones, textwise (888 pages versus 807, respectively).

That’s it! Go ahead, essay Patternbound!

 

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