Príncipes de Gautama

Ultimamente, só tenho jogado, mas como minha praia é mesmo mestrar, já estou pensando na minha próxima campanha. Tive uma idéia há alguns meses e ela retornou à minha mente recentemente, quando decidi dedicar um pouco mais de tempo a ela. Nessa campanha, os personagens (PCs) são jovens rajkumar (príncipes) que administram seus pequenos feudos em uma colônia da Terra num futuro distante. Tudo marinado em cultura pseudo-hindu e temperado com Dying Earth e Lord of Light. Ou seja, um clima de decadência tecnológica com os resquícios de uma Era Dourada onde biotecnologia, inteligência artificiais e tecnologia gravitacional floresceram. Nesse universo, a cultura hindu prevaleceu, pelo menos nessa área do espaço. Mas isso não quer dizer que a ambientação terá detalhes fiéis sobre o modo de vida indiano — o que quero é inspiração. É por isso que escrevi ‘pseudo-hindu’ acima. Por exemplo, deva nessa campanha não são espíritos, mas sim pessoas que nasceram com o dom de manipular o prana por meio do tantra, que por sua vez não será codificado de maneira fiel ao tantra real.

A idéia é combinar as aventuras padrão de um grupo de aventureiros com um sistema de administração de feudos que seria usado por cada PC. Então teríamos ações em nível administrativo, como rolamentos para ver se o rajkumar conseguiu debelar uma rebelião em seu feudo, e em nível tático, com os PCs se encontrando para resolver um problema que afeta a todos. É provável que eu crie — ou pegue emprestado de jogos como Birthright — umas tabelas de eventos aleatórios para rolar na fase de administração. Durante a criação dos PCs, que serão todos parentes, irmãos ou primos, também rolarei para ver a distância deles para o rajah em termos de sucessão, e do rajah para o maharajah.

Bom, essa é a idéia. Ao longo do tempo, vou postar as coisas que  vou usar para construir essa ambientação, como o planeta Gautama, a colônia do Império Deccam onde a campanha é ambientada

2009 d.C.

Nunca mestrei uma campanha do gênero pós-apocalíptico (Mad Max e companhia), mas sempre pensei em fazê-lo numa ambientação própria e não em algum cenário comercial já existente. No final da década de 90, rabisquei uma cronologia que levaria o nosso mundo a esse tipo de futuro. Por acaso, a camapnha começaria em 2009, por isso, nada mais lógico do que apresentá-lo este ano. Como gosto de ambientações gonzo ou kitchen sink, que reúnem vários gêneros na mesma camapnha, inclui tudo que podia nesse cenário : alienígena, magia, supers etc. Naquela época já se falava na elevação dos níveis do mares, então aproveitei para salpicar um pouco de Waterworld (além de outras referências, como Shadowrun e Os Doze Macacos) na parada. Não espere grandes sacações geopolíticas ou mesmo credibilidade científica — a ideia era criar uma ambientação louca. Talvez no futuro (trocadilho intencional), se tiver chance de mestrá-lo,  eu volte a esse cenário e altere algumas coisas. Se fizer isso, posto aqui. Sem mais delongas:

1999 d.c.

Janeiro

3 – Um funcionário do departamento de defesa americano rouba amostras de um vírus Ebola modificado e inicia um processo de semeadura através do mundo.

Fevereiro

15 – Terroristas invadem e assumem o controle de bases militares na Geórgia, ex-república soviética, e começam a fazer exigências.

22 – Uma tentativa frustrada dos Estados Unidos de tomar as bases faz com que os terroristas disparem os mísseis. Um sistema automático americano dispara mísseis em retaliação. Mais de cem milhões morrem nas detonações.

24 – Algumas ogivas acabam sendo detonadas no Ártico, derretendo parte da calota polar. Nos quinze dias seguintes, o nível do mar sobe 4 metros. Os Países Baixos são inundados.

Março

7 – As primeiras mortes causadas pelo vírus começam a acontecer. Em questão de semanas, 90% da população do planeta morre. Março de 1999 passa a ficar conhecido como “Março Mortal.”

Abril

1 – A Magia retorna. Criaturas míticas voltam a caminhar pela Terra e 5% da população restante é transformada em outras raças. Entre as novas raças estão elfos, orcs, trolls, homens-lagarto, etc.

17- Primeira aparição de um dragão.

Maio

13 – O “Grito Silencioso” acontece. Centenas de pessoas ao redor do mundo ouvem o que parece ser o grito coletivo de milhões de pessoas morrendo. Alguns dizem que isso nada mais é do que o eco do grito de morte das vítimas das detonações nucleares. O fato é que após este dia, telepatas, clarividentes e telecinetas não são mais lenda.

25 – O primeiro relato sobre paranormais possuidores de talentos descritos como superpoderes.

Junho

1 – Anubis caminha sobre a Terra. Ele se torna o primeiro dos deuses pagãos a retornar.

11 – Primeiras aparições das criaturas nascidas da interação das radiações com a magia, como os mana-mutantes e os elementais nucleares.

Dezembro

31 – Os alienígenas finalmente pousam na Terra.

Lady Blackbird

Estava vendo os tópicos de recrutamento para jogos na RPG.net e achei um que vai usar o módulo Lady Blackbird, de John Harper. É uma aventura gratuita no gênero steampunk que inclui a cena inicial, uma ambientação (mínima: uma página do total de 9), personagens pré-gerados e umas regras rápidas, aleem da ficha da nave celeste, The Owl (A Coruja). DannyK, o mestre do jogo na RPG.net, descreveu a aventura como uma mistura de steampunk, Firefly, Guerra nas Estrelas velha guarda e de uma pitada de Warcraft. Bom, não sei quanto a este último, mas pelo que vi do módulo, a descrição está correta. E se você não quiser as regras dele, o módulo pode ser facilmente adaptado ao seu sistema preferido. Aqui está a introdução do cenário (em inglês):

Lady Blackbird is on the run from an arranged marriage to Count Carlowe. She hired a smuggler skyship, The Owl, to take her from her palace on the Imperial world of Ilysium to the far reaches of the Remnants, so she could be with her once secret lover: the pirate king Uriah Flint.

However, just before reaching the halfway point of Haven, The Owl was pursued and captured by the Imperial cruiser Hand of Sorrow, under charges of flying a false flag.

Even now, Lady Blackbird, her bodyguard, and the crew of The Owl are detained in the brig, while the Imperial commander runs the smuggler ship’s registry over the wireless. It’s only a matter of time before they discover the outstanding warrants and learn that The Owl is owned by none other than the infamous outcast, Cyrus Vance.

How will Lady Blackbird and the others escape the Hand of Sorrow?

What dangers lie in their path?

Will they be able to find the secret lair of the pirate king? if they do, will Uriah Flint accept Lady Blackbird as his bride? By the time they get there, will she want him to?

Go. Play. And find out.

Rio by Night

Reparei que uma das expressões mais procuradas no Retalhos é “vampire the masquerade”. Aí lembrei que no meu site de RPG, Patchworld, estãos os arquivos (em inglês) do ex-futuro suplemento oficial do Rio de Janeiro no velho World of Darkness (oWoD). Esta é a introdução:

Em junho de 1993, Paulino Soares e eu, Fred Furtado, viramos a noite escrevendo uma proposta de 13 páginas para um suplemento do jogo de rpg Vampire: The Masquerade (V:TM). O suplemento descreveria a cidade do Rio de Janeiro no World of Darkness (Mundo das Trevas), a ambientação dos jogos publicados pela White-Wolf. Nossa idéia era aproveitar a visita de Mark Rein-Hagen, criador do jogo, ao Brasil e entregar a proposta em mãos. Com este intuito, fomos no dia 3 de junho à loja de quadrinhos Point HQ, em Ipanema, onde Mark apareceria para dar autógrafos. Nosso objetivo foi alcançado e Mark ficou de ler a proposta e fazer comentários.

Nos encontramos novamente nos dias que se seguiram, quando ele nos disse ter gostado da proposta e fez várias sugestões para melhorá-la. A reação positiva de Mark deu início ao processo de transformar a proposta num suplemento oficial para V:TM, chamado Rio by Night. A coordenação do projeto ficou a cargo da Editora Devir, que era a representante da White-Wolf. O elemento de ligação entre nós e aDevir foi Thaddeu Blanchette, que funcionou como uma espécie de subeditor e chegou a escrever uma pequena parte do projeto. Patati, roteirista de histórias em quadrinhos, se juntou ao projeto nessa época.

Infelizmente, o projeto acabou não dando em nada devido a uma série de motivos que não vale a pena discutir aqui. Todo o material que escrevemos ficou parado no meu computador nos últimos anos. A White-Wolf parece ter aproveitado uma ínfima parte na seção sobre o Brasil do suplemento A World of Darkness 2nd Edition. Fora isso, nada mais parece ter sido feito com o material. Em comum acordo, nós os autores, decidimos disponibilizar os textos na internet, para que os fãs do jogo possam aproveitá-lo.

Nos links abaixo, vocês encontrarão tudo que foi produzido naquela época, incluindo a proposta original, cuja história foi alterada durante o desenvolvimento do suplemento. Outras alterações que foram feitas por determinação da White-Wolf incluem a inclusão de um Methuselah e a diminuição da importância de outras criaturas sobrenaturais (lobisomens, espíritos, fadas etc.) a fim de manter a identidade do suplemento. A filosofia do trabalho era a de que “é mais fácil cortar texto, do que inventar mais.” Esse é o motivo para a abundância de material nas seções de história e personagens. Esse é também o motivo de algumas inconsistências que vocês sem dúvida encontrarão nos textos, incluindo a proposta original.

Por enquanto, só há texto, mas temos a intenção de acrescentar mais material a esta página, na forma de mapas, imagens etc. Isso vai depender do nosso tempo, obviamente, mas dê um pulo aqui de vez em quando e você é capaz de encontrar algo novo.

Concluindo, esperamos que vocês façam uso deste material em suas campanhas ou, simplesmente, divirtam-se um pouco com a nossa visão da Cidade Maravilhosa no Mundo das Trevas.

Atualização: tive acesso aos artigos que dois amigos meus publicaram na revista RolePlayinG, número 25, descrevendo a magia afro-brasileira nos Mundo das Trevas. É um bom complemento ao Rio by Night. Os arquivos são p24a, p25, p26, p27 e p28.

Fragmentos de Mundos Esquecidos

English-speakers, check my RPG.net thread.

Há algumas semanas, relembrei uma idéia antiga sobre a qual tomei conhecimento primeiramente nos romances da série Stormbringer, do Michael Moorcock (aparentemente, o rpg Exalted também tem um conceito similar): a de que heróis grandiosos poderiam criar novas terras a partir do Caos — com maiúscula porque estou falando da força de natureza divina que aparece nesses romances de fantasia. Imediatamente imaginei uma ambientação para um one-shot onde o Caos ganhou a eterna batalha contra a Ordem e consumiu todos os mundos, restando apenas uma massa disforme em constante mutação.

Contudo, de vez em quando a Ordem consegue se reestabelecer, cria uma ilha de estabilidade e traz de volta heróis desses mundos esquecidos para reestabelecer o multiverso. Esses heróis seriam os personagens dos jogadores (PCs). Eles podem ser de qualquer mundo, tanto mundano quanto mágico, de baixa ou alta tecnologia. Seu objetivo principal é vencer o Caos e reconquistar território para a Ordem, trazendo de volta nesse processo tudo que lhes é mais caro.

Meu sistema de RPG default é Unisystem, mas não creio que essa idéia necessite de todos os fru frus de um sistema mais pesado. Por isso acho que o PDQ ou outro sistema leve seriam mais apropriados. No caso do PDQ, os PCs recebem um número de Qualidades e Poderes como no Truth & Justice (eu resenhei esse jogo). Eles também ganham pontos de Ordem (ou de drama, destino etc., dependendo do sistema que você usar).

Estes conferem habilidades metajogo de curar dano, melhorar rolamentos e afins, além de permitir que os PCs conjurem fragmentos de seus mundos. Os fragmentos têm importância emocional para o PC e podem ser qualquer coisa, desde que sejam significativos: uma espada lendária, um antigo exército, um mar profundamente azul que o personagem lembra de sua infância.

Os fragmentos custam um ponto de Ordem e começam em Good [+2], mas se forem investidos mais pontos, eles melhoram. Um cavalo de três pontos é um animal Master [+6] . Quando for apropriado, esses fragmentos permitem adicionar seu bônus ao rolamento. Por exemplo, uma espada  Good [+2] dá +2 para combate. Esse bônus também ajuda o herói se ele derrotar o Caos, porque, depois da vitória, cada PC que sobreviveu rola para ver quanto do seu mundo natal fará parte da nova realidade e os fragmentos ajudam nesse rolamento.

Finalmente, cada fragmento pode absorver um nível de dano para cada ponto que tiver, mas s eo personagem zerar o fragmento, ele desaparece para sempre. Isso cria uma boa dinâmica, já que cada jogador terá que decidir entre investir em fragmentos ou em guardar seus recursos para sobreviver.

Além disso, há um outro detalhe que afetaria essa escolha. Cada vez que um fragmento é conjurado, o Caos ganha um ponto de Caos para usar contra os heróis. Esse ponto serve para criar oponentes aos personagens, mas essa oposição tem que ser oriunda do mundo do herói que gastou o ponto. A vantagem é que esse mesmo PC poderia ditar um detalhe sobre o oponente que lhe daria uma vantagem mecânica no combate contra ele.

Cada PC começaria com 10 pontos de Ordem e não haveria maneira de ganhar novos pontos (ainda não fechei essa idéia). Como disse antes, ess aidéia seria para um one-shot e não para uma campanha. Acho que seia divertido e poderia ser resolvido em umas duas sessões, dependendo do número de jogadores.